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Quando fui na Comic Con Experience e foi Épico

Matheus Goncalves

, 8 min de leitura

O meu primeiro contato com a Comic Con Experience foi quando cheguei na estação Jabaquara pouco antes das 9 horas da manhã da sexta-feira e vi uma fila esperando vans que não paravam de ir e voltar da São Paulo Expo, este foi apenas o primeiro sinal da excelente organização do evento que eu estava para participar.

A Comic Con Experience me surpreendeu positivamente. Os organizadores do evento fizeram a parte deles e deixaram o terreno preparado para que as editoras, os artistas, as grandes empresas de entretenimento e nós nerds fizéssemos a maior festa da cultura pop de todos os tempos no Brasil.

Painéis

O principal motivo para ter escolhido a sexta-feira, além de imaginar que seria mais tranquilo do que o fim de semana, foram as “Master Classes” do dia. A primeira seria ministrada por Sidney Gusman, editor da Maurício de Sousa Produções e logo em seguida teríamos Scott Snyder, atual roteirista de Batman.

O painel de Sidney Gusman começou meia hora após a abertura das portas do evento. Além de destacar algumas etapas de sua carreira, como quando Neil Gaiman elogiou a edição brasileira de Sandman, dizendo que era a melhor edição do quadrinho já publicada no mundo; contou também quando os japoneses decidiram que o Brasil só publicaria mangá novamente se o material tivesse o formato de leitura oriental (da direita para a esquerda); dentre outras coisas.

Sidney Gusman na Master Class "O Papel do Editor"
Sidney Gusman na Master Class “O Papel do Editor”

Sidney também deu algumas dicas para quem está interessado em fazer carreira nos quadrinhos, exaltando a importância de ler e dominar o tema do trabalho que está abordando, da interação com o leitor e, além disso, da necessidade de ser cara de pau.

Por fim, Sidney contou algumas curiosidades sobre o seu trabalho na Maurício de Sousa Produções, como a vez em que descobriu que Eduardo Damasceno era daltônico, durante a produção da graphic novel Bidu – Caminhos; sobre uma das pin-ups do álbum Mônica(s) que um artista lhe enviou, onde a personagem estava nua e com um piercing naquele lugar; e sobre um easter egg na graphic novel Mônica – Laços, contando que a gangue que enfrenta a Turma da Mônica é baseada nos personagens da turma do Bolinha e Luluzinha.

Quando saí da palestra de Sidney Gusman já estava pronto para entrar na fila da próxima palestra que seria com Scott Snyder, porém logo desanimei com a fila que já estava enorme e decidi ir curtir a CCXP.

Acabei indo apenas em dois painéis, os dois relacionados a quadrinhos, que era o que mais me interessava. O segundo painel foi com os gêmeos Gabriel Bá e Fábio Moon que contaram sobre a suas carreiras, a evolução de seus trabalhos, o modo como fazem quadrinhos, o projeto atual que está para ser lançado e os projetos do futuro.

Gabriel Bá e Fábio Moon no painel "10 Pãezinhos: Quando contar histórias para todo mundo se tornou contar histórias ao redor do mundo"
Gabriel Bá e Fábio Moon apresentando a capa de Dois Irmãos

O que destaco da palestra dos dois, além de ter sido uma inspiração vê-los contando como conseguiram vencer como quadrinistas e como é bom trabalhar com aquilo que se ama, mesmo tendo que trabalhar muito para chegar aonde eles chegaram, Bá e Moon mostraram pela primeira vez a capa de Dois Irmãos, o próximo trabalho deles a ser lançado em 2015, trata-se de uma adaptação em quadrinhos do romance do amazonense Milton Hatoum. No final eles provocaram os presentes com um teaser sobre seu próximo trabalho que será sobre “umas garotas”. Vamos aguardar.

Artists Alley

Essa foi para mim a melhor parte da CCXP e onde eu fiquei mais tempo. Observando tudo aquilo, cheguei à conclusão de que não basta abrir um espaço para 200 quadrinistas e esperar o sucesso automático daquilo, é necessário a cooperação de cada um deles. E foi isso que aconteceu!A  Você via filas de fãs animados, esperando por horas na fila para ganhar um autógrafo, trocar uma ideia e bater uma foto. Fiquei impressionado com o carinho de todos os artistas, que atenderam os fãs com paciência e bom humor por horas, desenhando dedicatórias em centenas de quadrinhos.

Não consegui autógrafos com todos os artistas que eu desejava, encarei filas por horas, mas é muito bom passar horas na fila para ser tão bem recebido naqueles dois minutos de autógrafo. Os mais ocupados (e atenciosos) eram Danilo Beyruth, com seu recém-lançado Astronauta – Singularidadde; Vitor Cafaggi, que vem publicando Valente pela Panini, além de ser o autor de Mônica – Laços, a Graphic MSP de maior sucesso desde o início do projeto; Gustavo Duarte, que estava lançando Có! & Birds pela Quadrinhos na Cia., além do especial de 75 anos da Marvel de Guardiões da Galáxia lançado pela Panini e os gêmeos Gabriel Bá e Fábio Moon.

Gustavo Duarte autografando minha edição de Có! & Birds
Gustavo Duarte autografando minha edição de Có! & Birds

Me tornei um fan boy quando a felicidade veio em forma de autógrafo nas mãos de Gustavo Duarte (Có! & Birds), Cris Peter (Astronauta – Singularidade), Lu Cafaggi (Turma da Mônica – Laços), Eduardo Medeiros (A História Mais Triste do Mundo) , Felipe Nunes (Klaus), Paulo Crumbim (Quadrinhos A2), Gabriel Bá e Fábio Moon (Daytripper), Dave Johnson (100 Balas), Klaus Janson (Batman – Cavaleiro das Trevas), Olivier Coipel (Dinastia M) e Scott Snyder (Batman), que não tinha conseguido vê-lo palestrar, mas pelo menos consegui um belo autógrafo e uma foto.

Minha edição de Batman #17 autografada por Scott Snyder
Minha edição de Batman #17 autografada por Scott Snyder

O Artists Alley era a chance de conhecer novos artistas e novos trabalhos sendo produzidos no cenário nacional. Enquanto que imaginamos a San Diego Comic Con repleta de artistas e autores conhecidos por trabalhos já publicados aqui, a Comic Con Experience é a chance de tornarmos o quadrinho nacional algo maior e trazer o reconhecimento para essa grande geração de quadrinistas brasileiros.

Novidades, outros destaques e aqueles que vamos ver muitas vezes por ai

A CCXP trouxe esperança aos leitores ao testemunharem a Panini finalmente interessada naqueles tais quadrinhos que ela vem publicando há anos. A editora, que antigamente fazia estandes em feiras apenas para vender assinaturas, dessa vez tinha um dos melhores estandes do evento, publicou belíssimos lançamentos e ainda deu 25% de desconto pra galera.

A Panini foi pra campo com conhecimento de mercado, entendendo o que os leitores queriam; lançaram trabalhos de autores e artistas que estavam presentes no evento, como Batman – A Corte das Corujas de Scott Snyder, Guardiões da Galáxia – Marvel 75 Anos desenhando por Gustavo Duarte, Demolidor de Frank Miller com a arte final de Klaus Janson; capas especiais, como uma do Capitão América & Gavião Arqueiro desenhada por Vitor Cafaggi com o aval da Marvel, capas em branco do Batman, Superman e Lanterna Verde para que os leitores pudessem pedir aos seus artistas favoritos presentes no evento que desenhassem seus personagens de preferência na capa, além de capas belíssimas ilustradas pelo mestre José Luis García-Lopez, que também estava presente. Parabéns à Panini.

Assim como a Panini, que finalmente decidiu crescer em todos os sentidos neste mercado. Outros, que hoje são pequenos, se destacaram no evento e merecem toda a atenção dos leitores.

Durante sua palestra, Sidney Gusman falou com alguém da platéia que estava logo atrás de mim, quando olhei pra trás logo reconheci, era a dupla do Clube do Quadrinho, em seguida os vi mais algumas vezes no evento, sempre com um sorriso de orelha a orelha, se mantinham ocupados gravando vídeos do evento ou entrevistando algum artista. Pela qualidade do canal, pelo carisma dos apresentadores e pelo trabalho árduo que eu testemunhei, este canal tem tudo para se tornar o maior do gênero no YouTube. Sugiro que fiquem de olho neles! Deve estar para vir excelentes vídeos com uma cobertura diferenciada da Comic Con Experience para quem é fã de quadrinhos.

Outro excelente canal do YouTube que estava com uma mesa no Artists Alley era o Quadrinhos para Barbados, diferente do CDQ, o Quadrinhos para Barbados procura mostrar um pouco mais sobre os quadrinistas e seus trabalhos. A cada programa um quadrinista fala sobre o seu trabalho e tudo relacionado a ele. O trabalho de edição e o conteúdo dos vídeos são excelentes, é uma ótima recomendação para os fãs de quadrinhos e para aqueles que fazem quadrinhos.

Assim como os autores brasileiros que demonstraram muito carinho pelos leitores, autores e artistas internacionais de primeiro escalão que participaram do evento abraçaram a ideia da grandiosidade da CCXP, curtiram a festa e trataram os fãs da melhor forma possível. Para os próximos eventos podemos aguardar que seja cada vez mais comum que os nossos autores e artistas gringos favoritos pintem por aqui.

O francês Olivier Coipel com a minha recém-autografada edição de Dinastia M
O francês Olivier Coipel com a minha recém-autografada edição de Dinastia M

Antes da CCXP já existiam eventos especializados em quadrinhos, mas nenhum destes reuniu tantos quadrinistas de uma vez só. Esperamos que nos próximos anos os outros eventos usem a fórmula da CCXP e procurem ampliar o espaço para profissionais independentes, isso só incentiva o crescimento dos quadrinhos no Brasil. A Comic Con Experience tem tudo para ser mais um impulso para a carreira de muitos quadrinistas. Podemos ter certeza que muita gente boa vai aparecer por ai neste próximo ano.

Nos vemos em 2015, que com certeza reservarei pelo menos 2 dias para curtir a festa com mais calma. Obrigado CCXP por fazer tudo isso pelos quadrinhos!

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