Somos todos Charlie Hebdo
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Saudações a todas e a todos
Começamos mais um ano, e gostaria de desejar para todos vocês um feliz 2015, apesar do mesmo começar com um acontecimento tão pesado quanto o ataque terrorista de ontem (7/01) à sede do jornal francês Charlie Hebdo, que vitimou doze pessoas entre elas os chargistas Charb, Cabu, Tignous e Georges Wolinski
O atentado bem sucedido ao jornal não apenas vitimou pessoas, mas também ideias, a liberdade de expressão, a Arte, a religião e a civilização, de uma única vez.
O Charlie Hebdo é um jornal de humor, surgido nos anos 1970 do século passado, e que satiriza a tudo e a todos, seja a esquerda ou a direita, o terrorismo, a religião etc. Tudo e todos são alvos para a critica bem humorada dos artistas, que se utilizam da charge para isso. A charge, como forma de Arte, é o meio ideal para isso, por trabalhar, na maioria das vezes, com uma linguagem quase universal: o desenho.
A charge é uma ferramenta que tem por finalidade satirizar, de relatar acontecimentos atuais e mais do que um ‘simples’ desenho, a charge é uma crítica político-social e temporal e o chargista expressa graficamente sua visão sobre determinadas situações através do humor e da sátira. A palavra é de origem francesa, que significa carga; ou seja, exagera os traços do caráter de alguém, de algo ou de uma situação para torná-lo mais palatável ao nosso entendimento, para humanizar o fato ou a pessoa (basta ver o FHC do Aroeira para entender o que quero dizer).
E creio que dois fatores na história mostra o quão absurdo estão os nossos dias. O primeiro é utilizar uma religião que prega a paz (como todas as outras existentes) como justificativa para atos de barbárie. Não, o Islamismo não tem nada a ver com isso, acreditem e não caiam no discurso fácil do preconceito, por favor.
A segunda é que muitas pessoas alegam que o culpados foram os próprios chargistas pelo acontecimento, pois não respeitaram a religião, que ‘pegaram pesado’ com a crítica etc. Novamente, culpamos a vítima pelo crime ocorrido a ela. Não, os artistas não foram os culpados pelo atentado, foram vítimas, juntos com seus amigos e colegas; e ainda não consigo entender onde o humor, deles ou de qualquer outro, chargista ou não, possa ser justificativa para assassinato. Se assim fosse, então as cristãos poderiam tê-los matado a muito tempo, não acham?
Não, não podemos baixar a cabeça para esse tipo de coisas, mas também não podemos usar o discurso do ódio para contra esse tipo de pessoa. Precisamos lutar com as nossas armas, que é a nossa arte, nossa educação, nosso conhecimento; nossa capacidade em dialogar, compreender os outros e respeitar a opinião contrária a nossa. E respeitar não quer dizer aceitar, mas sim saber que a outra pessoa tem uma opinião diferente e que não nos afeta, que não altera a nossa individualidade; da mesma forma que não podemos mexer na individualidade do outro, desejando que se adeque a nossa. É a diversidade das pessoas que fazem com o que o mundo seja um local interessante, que as ideias surgem, que a Arte (o ponto focal desse blog) seja cada vez mais rica.
Bom pessoal, é isso. Eu gostaria de terminar o post sobre o Leifeld que iniciei ano passado, mas os acontecimentos de ontem não podem passar em branco. É quase um desabafo mesmo, sobre uma situação tão triste.
Obrigado e até a próxima quinta.
#somos todos Charlie Hedbo.


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