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No sentido do lápis 6B

Vanessa Bencz

, 2 min de leitura

Quando eu era criança, um dos meus prazeres era abrir um pacote de Chamequinho e cheirar o seu interior – aquela fragrância de papel sulfite me deixava em êxtase. Era com profunda reverência que separava uma folha, colocava em cima da mesa da sala e começava a rabiscar com meu lápis 6B. Entretanto, logo cedo me deparei com uma cisma comum a todos: a folha em branco me encarava e parecia bloquear minhas ideias.

Lembro-me que, aos 8 ou 9 anos, não tinha ferramentas psicológicas desenvolvidas para criar roteiros. Inventava apenas personagens – mas faltava-lhes a história, o caminho, o drama. Foi aí que vivi o meu próprio drama: quando estava prestes a amadurecer meus dotes como roteirista, um professor da minha escola me humilhou na frente de toda a turma dizendo que eu jamais seria desenhista. Em tom de deboche e preconceito, falou que no máximo eu me tornaria uma “cartazista de supermercado”. Essa agressão bloqueou minha criatividade por dias. Meses. Anos. Foi pelo menos uma década de bloqueio e insegurança.

Foi na faculdade de jornalismo que recomecei a flertar com a arte, com o pacote de Chamequinho e com a ritalina, que focava minha atenção como quem finalmente encontra seus óculos e enxerga o mundo. Voltei a desenhar porque escrever não me bastava; a ilustração faz um casamento perfeito com a literatura e foi aí que, de repente, me vi pronta para fazer uma história em quadrinhos. Dessa vez não me faltava o roteiro. Era só olhar para trás e reescrever minha história!

Foi assim que surgiu a HQ “A Menina Distraída”. Não me arrisquei a fazer as ilustrações finais porque entendo que ainda estou avançando no caminho deste aprendizado; mas os artistas que se abraçaram comigo nesse trabalho fizeram melhor do que eu jamais sonhei. Fabio Ori e Denny Fischer foram os desenhistas que pegaram o meu sonho com carinho e transformaram em HQ.

Sou uma pessoa muito intensa. Quando me abraço a uma causa ou a um sonho, eu chacoalho o mundo até todo mundo me ouvir. O fato de ter sofrido bullying poderia ter me transformado em uma pessoa azeda e cínica. Mas não: virei uma ativista. Eu quero que “A Menina Distraída” chegue nas mãos dos jovens estudantes e ensine a eles que o sonho é a coisa mais sagrada que existe. Que o respeito é uma arte; e devemos ser artistas primorosos nesse quesito. Que as pessoas são diferentes e que nossas peculiaridades devem ser celebradas. Que amar as pessoas não é difícil, basta entender que o sentido da vida é fazer com que ela continue fazendo sentido. Fazer o bem, pelo menos, é o sentido da minha vida. E da sua?

Conheça “A Menina Distraída”: www.ameninadistraida.com.br

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