Os quadrinhos precisam ser mais como o Funk
, 3 min de leitura
Saudações a todas e a todos!
Mas que @#$%” de post é esse?!
Acredito que muitos de vocês devem ter tido essa reação ao ler o título e a foto da Valesca aqui, num site sobre quadrinhos. Mas relaxem, aproveitem a leitura e depois comentem o que acharam sobre.
Eu lido com quadrinhos a minha vida toda: aprendi a ler com gibis, lia muito na escola (e muitas professoras os tomavam e não entregavam sniff), passei a desenhar os personagens que via nas páginas, já querendo ser um desenhista. Graças aos gibis, fiz amigos, conheci o RPG, desenvolvi o prazer da leitura e me tornei um profissional do setor.
Quando comecei a produzir minhas primeiras histórias em quadrinhos, (láááá na década de 1990 do século passado) foi através dos fanzines, e me lembro que para produzir uma revista em uma gráfica (praticamente todos os fanzines eram feitas através de fotocopiadoras, mais conhecidos como xerox), era quase inviável, pois o preço de impressão eram altíssimos e vender era praticamente impossível. Lembrem-se que estamos falando de uma época que praticamente não existia a internet, nem redes sociais, blogs, podcast, nada que pudesse ajudar a divulgar o produto. Eventos eram mais raros ainda.
Hoje, criar, divulgar e vender uma revista independente e um fanzine é muito mais fácil, pois a internet permitiu essa propagação de conteúdo. Na verdade, nem precisamos criar uma revista física: pode-se fazer uma história e publicar em um blog e/ou numa página em alguma rede social para divulgar o trabalho e pronto. Já estamos publicando.
Mas a internet ajudou a popularizar os gibis? Quando digo ‘popularizar’, quero dizer: os gibis estão se tornando mais populares, no sentido de que estão saindo dos grandes centros urbanos e indo para a periferia ou ele está se tornando algo mais elitista? e o que o Funk tem a ver com isso?
O Funk é um estilo musical surgido da música negra norte-americana no final da década de 1960, no Bronx, um bairro de NY. Esse estilo musical se originou a partir da Soul Music, tendo uma batida mais pronunciada e algumas influências do R&B, Rock e da música Psicodélica. Já a palavra, numa tradução livre, possui vários significados: todo mundo junto; divertir; embaraço.
No Brasil, o Funk ganhou uma identidade própria, o Funk Carioca e teve origem nas favelas do Rio de Janeiro, na década de 1980, com influências do Miami Bass e do Freestyle dos Estados Unidos. As letras do Funk refletiam o dia-a-dia das comunidades ou faziam exaltação a elas. As músicas são geralmente feitas por moradores de favelas e as letras retratavam a maneira de viver, a pobreza, a violência, a sexualidade etc e criticam à sociedade e ao governo (atualmente, o estilo que mais se ouve é o de exaltação ao sexo, mas isso é outra conversa). É uma maneira das pessoas expressarem o que sentem através da música. E, da mesma forma que um estilo de música veio de “fora” e ganhou a periferia, acredito que os quadrinhos se beneficiariam e muito com esse movimento.
E sinto que falta isso para os quadrinhos: uma popularização da nona arte, e não apenas a sua divulgação. Precisamos avançar com as HQs para a periferia, subúrbio, favelas, comunidades, na roça e aonde mais pensarmos em localidades fora dos eixos dos Grandes Centros.
Precisamos realizar eventos nesses locais, mas não gigantescos, com dezenas de convidados estrelados, cosplayer, videogames e blábláblá. Mas sim, pequenos eventos, dentro de escolas, bibliotecas, clubes; realizar palestras para os alunos, professores, familiares, explicando o que é gibi, a profissão quadrinista; como os quadrinhos podem beneficiar o processo de aprendizagem; realizar feiras de trocas de gibis, de livros, revistas. Oficinas de desenho, roteiro e fanzines também ajudam a popularizar os gibis e a descobrir novos talentos.
Precisamos desse tipo de movimento, até mesmo para o fortalecimento do mercado (tanto consumidor, quanto profissional), que está surgindo no cenário brasileiro nesse instante. Precisamos de mais gente lendo, fazendo, curtindo, se apaixonando por gibis.
Precisamos de mais gibis e menos de quadrinhos.
E o que quero dizer com isso? Respondo na próxima semana, pessoal!
Até lá!


Cara, teu texto tá ótimo. Tu sabe que eu concordo. Nosso caminho é o de levar a arte até as pessoas, sobretudo quem tá lá embaixo. Os quadrinhos, marginalizados como são (digo isso num bom sentido, na verdade), devem mesmo fazer esse papel e sair dessa marginalidade junto com todo mundo.