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Morteu – A vida e a morte em forma de HQ

Lucas Brizola

, 10 min de leitura

O que você faria se do nada descobrisse que a vida simples que você tem não é tão normal assim como você acha, se descobrisse que sua mãe esconde um grande segredo e que ao revela-lo sua vida nunca mais seria a mesma? Imaginou? Então bem vindo a vida de Morgan Etrom.

Com uma trama voltada para o sobrenatural Morteu é uma HQ que te cativa por inúmeros motivos, ela trabalha muito com vida, morte e sentimentos, impossível não parar e refletir depois de chegar em suas últimas páginas. Nos acompanhe nessa resenha que fizemos sobre essa super história em quadrinhos.

Morgan é uma garota como qualquer outra, todos os dias acorda, vai a escola… mas sempre se sente deslocada, como se aquele mundo não fizesse parte do seu, afinal na adolescência quem nunca passou por isso não é mesmo?! Em mais um de seus dias na escola ela se depara com um novo aluno, chamado Dracón, um rapaz que vemos aparentar não ligar para ninguém, sendo apático com todos.

A principio a garota tenta falar com ele, por achar ele bonito, mas acaba por desistir após ver que ele não está ligando nem um  pouco para ela, o que faz com que ela pegue antipatia por ele. Ao chegar em casa ela é surpreendida quando sua mãe lhe apresenta o novo hospede que ficará com elas em casa, o que faz ela ter um surto, pois o mesmo garoto que teve apatia por ela mais cedo, agora iria ficar de baixo do mesmo teto que ela.

Agora que os problemas começam, pois onde ela vai o mesmo garoto está sempre atrás dela, não dando sossego um minuto, sempre a criticando e achando o que ela faz esquisito, deixando Morgan P da vida com ele. O problema todo começa quando sua mãe fala que a família de Dracón virá busca-lo e que ela irá junto ficar um tempo com eles, como Morgan não quer ir e precisa de alguém para desabafar, liga para Lorenze, seu melhor amigo, para eles saírem para esparecer, pois ela não sabe o que fazer.

Quando se encontram, os dois amigos decidem ir ao cinema para botar o papo em dia e tentar fugir das pessoas que virão busca-la para ficar com essa outra família, mas o que acontece dentro daquela sala de cinema faria com que a vida dos dois tomassem novos rumos a partir daquele dia.

Enquanto conversavam, Lorenze e Morgan sentem uma forte atração um pelo outro, fazendo com que ocorra um beijo entre eles, mas são interrompidos por algo estranho tentando agarrar a garota, saindo de lá as pressas, o casal se depara com um espiral que arrasta a adolescente para dentro de si, fazendo ela sumir e seu namorado fica desacordado no chão.

Quando chega ao outro lado, Morgan é recebida por ninguém menos que sua mãe, que demonstra sentir bastante culpa por tudo que está acontecendo com sua filha, pedindo para que ela troque de roupas, ela leva a garota por um caminho extremamente escuro, onde ela acaba por esbarrar na pessoa que ela menos esperava naquele momento: Dracón. Surpresa com sua presença ali, Morgan questiona o que estava acontecendo, ele apenas diz que ela deve se apressar para seu julgamento, encerrando assim essa parte da história.

A trama da história é muito bem amarrada, para quem é fã de HQs com cunho sobrenatural, Morteu é um prato cheio. O mais interessante é que quando se olha a primeira vez para o material surge aquela dúvida do que nos apresentará, mas cada detalhe é tão bem amarrado que nos faz não querer mais parar de ler.

Algo que veio em minha mente quando comecei a acompanhar a HQ foi Beladona, pois ambas possuem aquele tom de mistério no ar e de que a qualquer minuto tudo pode mudar.

Morteu possui muito mais páginas, onde vemos uma total mudança de personagens e também de amadurecimento de alguns, se você ficou curioso para saber o resto da história não deixe de conhecer a fan page de Renata C. B. Lazzarini.

Renata tem 22 anos, e vive na cidade de 10933910_791513494269948_4188470005566223450_nSão Paulo, nos conhecemos através do grupo Mulheres em quadrinhos, e é a autora da HQ e também do Loucas Histórinhas. Tivemos uma conversa com ela para falar um pouco mais dela e sobre Morteu, além do que vem por aí de novidades, confira a seguir toda a nossa entrevista:

Diga pro pessoal quem é você:

Quando tinha meus 7 anos minha mãe me colocou, junto com minha irmã, em um curso de férias de desenho, na época eu já amava ficar criando meu próprio mundo, mas ali que comecei a ter a real noção de quanto eu gostava. Lembro que minha irmã ficava brava às vezes porque sempre que eu desenhava algo eu contava toda uma história para explicar como a personagem chegou naquela situação que eu havia desenhado.

Com o tempo eu acabava por desenhar uma página de HQ atras do desenho para me lembrar dos acontecimentos. Quando tinha meus 12 anos, resolvi voltar para a escola de desenho e desde então só parei em curtos intervalos de meses.

A partir dai já fazia milhares de HQs por puro instinto, tem uma que fiz em aula que é quase que impossível de ler, os quadros estavam uma bagunça! Na época do vestibular, sai das aulas achando ser definitivo, mas no final do ano voltei para me preparar para as provas de habilidade especificas.

Entrei na faculdade de Design já com a ideia de fazer uma HQ de TCC, com isso, mudei da aula de desenho para a aula de HQ e comecei a estudar a fundo o assunto.

Depois de mudar mil vezes o tema da história, lembrei de um texto que havia começado a escrever no colégio e que já tinha começado uma HQ sobre ele (que não foi para frente na época), resolvi acabar de desenvolver e criar a HQ que estou para publicar, a Morteu. Agora estou desenvolvendo um universo todo em torno dela.

É isso ai, desde pequena descobrindo e perseguindo esse sonho!

De onde veio a inspiração para Morteu?

Começou um pouco com Fantasma da Ópera que é uma das minhas histórias favoritas! O Dracón pode-se dizer que é o próprio Fantasma, o Lorenze é o Raul, a Morgan é a Christine e sua mãe a Madame Giry. Mas fui reconstruindo a personalidade deles conforme a história foi ganhando vida.

Quando comecei a escrever, estava tendo aula de Ultra romantismo, e fiquei fascinada com o morbido do movimento! Só que eu tinha acabado de ler Crepúsculo (sim, li toda a saga) e queria escrever algo sobre imortais, mas vampiro e lobisomens já eram batidos e queria algo que a principal não ficasse com o cara perfeito, pois de tão perfeito o cara devia beirar o insuportável!

Algo que me chamou a atenção foi o fato dos personagens viverem, sofrerem, sentirem, morrerem… Coisas que muitas vezes algumas HQs esquecem. Como funciona o seu processo de criação, além de “O fantasma da Ópera” tem algo pessoal que te inspirou pra dar tanto sentimentos a história?

Queria que a personagem aprendesse que sendo mortal, pode-se aproveitar o mundo de forma melhor. Na época, eu curtia um garoto que para mim era perfeito, e ele realmente me irritava muitas vezes e a Morgan é meu retrato com 17 anos (risos)

(risos)Ta explicado agora. Quanto tempo você levou pra produzir Morteu?

A HQ em si foram 3 meses, a história foram uns 5/6 anos com muuuuitas pausas longas, chegou uma hora que nem lembrava mais o nome dos personagens (risos)

E como você fez pra manter o foco esse tempo todo? Sabemos que não é fácil para um artista nacional produzir seu trabalho, são muitos empecilhos e poucas recompensas.

Bem, na HQ, aproveitei que não estava trabalhando e só tinha aula na faculdade uma vez por semana, então esbocei as 70 páginas em 7 dias, acordando as 5:30 da manhã e parando as 18:00 Já a arte final, eu já estava trabalhando, então acordava no mesmo horário, fazia o que dava até o horário que eu tinha que sair e quando voltava, fazia mais.

O fato de Morteu ter sido meu trabalho final da faculdade me ajudou muito a acabar o projeto, mas nesse meio tempo conheci muitos artistas que me estimularam muito a não desistir no pós faculdade.

E como foi a recepção das pessoas com teu material?

Foi melhor do que eu pensei que seria, na verdade. Acho que a cara de pau ajudou um pouco também hahahah Fui em vários eventos e ficava mostrando meu trabalho, ainda em andamento, para todo mundo que tinha algo relacionado com a área.

Quais artistas ajudaram seu trabalho a alcançar todo seu potencial?

De início, teve o Luiz Gê, que foi meu professor de HQ na faculdade e meu orientador do TCC, e o Octávio Cariello, que foi meu professor de HQ na Quanta e quem me direcionou para o mercado. Depois vieram vários, teve o Marcatti e o Franco da Rosa, que foram os primeiros fora das aulas a verem meu trabalho, tem a Germana Viana, que é uma mega amiga e sempre ta me apoiando e dando dicas, creio que esses foram os principais a me ajudarem nesse caminho.

Ah! Teve também o Barata, que foi meu primeiro professor de desenho (já faz 10 anos) e o Edmar Osti, que foi outro professor de desenho (este começou a me puxar mais para as HQs).

Depois de todo esse pessoal, algo mudou na tua HQ?

Mudou sim, mas de todos os que mais mexeram na Morteu foram o Luiz Gê e o Cariello, já que eram meus professores na época

Por que foi aquilo: o Barata me ensinou o que era uma HQ, por assim dizer, o Edmar Osti me incentivou a continuar, Luiz Gê e Cariello me ensinaram como realmente funcionava e deram os pulos do gato e Rosa, Marcatti a Germana foi mais na parte de divulgação

Onde conseguimos encontrar Morteu?

No momento só na minha página: http://www.facebook.com/loucashistorinhas/

E tem algum lugar pra acompanharmos online as histórias de Morgan?

Tem sim, na minha página! Toda Sexta-feira às 19:00 posto uma nova página, na próxima sexta sairá a 23.

Quando veremos uma versão impressa desse material?

Acabei de enviar os arquivos para a editora e dentro de alguns meses a revista estará em algumas lojas, como Cultura e a Martins Fontes da Av. Paulista, além de algumas lojas menores e em eventos.

Vai ter lançamento?

Vai sim! Só não sei onde ainda, mas se tudo der certo, será o mais tardar em agosto.

Aviso vocês quando estiver com data marcada.

Morteu terá continuação?

Continuação não, mas existem várias histórias no mesmo universo. Tem uma que é a versão de Dracón, essa será bem tensa, uma que conta o passado da mãe da Morgan e como ela acabou vindo morar entre os mortais e outras que os personagens tem influencias em cima dos principais

Então pra ti que ganhou varias dicas e conselhos de diversos artistas, qual conselho que da para o pessoal que também está começando agora?

Estude, não só desenho, mas narrativa (composição de páginas, ritmo) e roteiro, pois ter um desenho maravilhoso, mas vazia não dá certo.  Não tenha vergonha, vá aos eventos, mostre seu trabalho para quem já está na área e aceite as dicas, isso só fará você crescer profissionalmente.


Depois dessas dicas garanto que muita gente vai se animar em também produzir seu próprio material. Outra recomendação que quero deixar aqui também são as tirinhas postadas por ela no Tumbler e também na fan page, onde vemos algumas aventuras do dia a dia da  própria Renata.

Confere aí: renatacblzz.tumblr.com

 

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