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Liefeld, o cara que as pessoas amam odiar… mas por quê?

Hamilton Kabuna

, 4 min de leitura

Saudações a todas e a todos

Começando meu post semanal, quem aqui (que curte gibis de super heróis) nunca  ouviu essas expressões?

“Rob Liefeld é um péssimo desenhista!!”

“Rob Liefeld é um roteirista sofrível!”

“Rob Li-e-fede é horrível!! Não sei como ainda o chamam pra desenhar!”

Quem lida com quadrinhos, principalmente do gênero “super-heróis”, nos últimos 18 anos, seja como consumidor ou como profissional, já deve ter ouvido esse discurso diversas vezes, seja em convenções, seja em revistas especializadas ou em mesas de bar. Bem, Rob Liefeld é um desenhista /roteirista de quadrinhos do gênero super-heróis, gostemos desse fato ou não.

O senhor Liefeld surgiu na indústria quando, em 1988, aos 20 anos fez uma história para a DC Comics, em Warlord 131. Depois, ele fez Secret Origins 28 e, em seguida, foi chamado para fazer Rapina e Columba, série essa escrita pelo casal Barbara e Karl Kesel. Depois, ele vai para a Marvel, onde começa a trabalhar em Novos Mutantes e o título se torna um dos mais vendidos da editora. Na edição 98 americana, Rob Liefeld assume o controle editorial da revista, ao lado do roteirista Fabian Nicieza, modificando o título para X-Force. A visão da dupla Nicieza/Liefeld, de “vilão-bom-é-vilão-morto” foi ditada por toda a Família X na década de 90. Em 1992, ele funda a Image Comics, ao lado de outros medalhões da Marvel (mas isso fica para a outra semana).

Com esse breve histórico, vamos abordar o tema. O sr Liefeld sempre foi acusado de ser um péssimo desenhista e um péssimo roteirista. As duas afirmações são verdadeiras à partir de que ótica? Como alguém que “não sabe desenhar” conseguiu se tornar um nome tão forte numa indústria que “preza” por um “nível alto” de desenhistas e roteiristas? Já se perguntaram o por quê?

Não existe uma resposta, mas algumas coisas podemos analisar para ver como isso aconteceu. Quando Liefeld surgiu na indústria, ele incorporava aos seu trabalho algumas coisas que eram novidades na década de 1980, como linhas de velocidade no lugar de cenários; ausência (ou pouco detalhamento) dos mesmos. Designer de páginas diferenciado, com várias sangrias, onomatopeias gigantes, páginas duplas em momentos de impacto etc. E, vejam bem, não estou dizendo que ele fez tudo isso de forma acertada, mas que ele fez algo que ,até então, era executado de forma tímida. Com isso, ele inovou dentro do padrão Kirby-Steranko-Adams-Buscema ao introduzir esses elementos gráficos nos seus quadrinhos.

E fazer quadrinhos é dominar uma linguagem, e não apenas um desenho “bonito” e bem “acabado”, ditado por algum padrão surreal de beleza imagética. Ou precisa entender todas as sutilezas de um texto em prosa ou conhecer profundamente a história da literatura para ser um reoteirista. Não. Fazer quadrinhos é saber contar uma história usando a combinação (nada fácil), entre palavras e imagens, e imagens que não necessariamente, precisam combinam entre si, pois nosso cérebro as organiza e cria a história. Ajuda se o desenho for bem estruturado e a pessoa souber algo sobre literatura? Muito. Mas, quadrinhos é bem mais profundo que isso

Mas, Liefeld sabe desenhar? Indo para essa polêmica, a resposta é SIM, Liefeld sabe desenhar (não se preocupe, respire fundo e beba uma água; esse texto vai esperar). Mas é “agradável”? É “correto? É “bonito”? Não podemos dizer “sim” para essas respostas, mas também, não podemos dizer “não”.

Na própria história dos quadrinhos dos super heróis, principalmente no início do gênero, tivemos desenhistas que “não sabiam desenhar”, mas que ajudaram a promover o material. Mas, extrapolando um pouco, na própria história da Arte, tivemos pessoas que, supostamente, não sabiam “desenhar/pintar”, mas que foram revolucionárias para a Arte da Pintura e do Desenho. E, não nos esqueçamos da “Estética do feio”, de Karl Rosenkranz (1853), onde ele alega que a feiura tem significados próprios, e, que por, causa disso, pode alcançar o sublime. Esse padrão estético foi a marca do século 20, quase como um ato de rebeldia conta o padrão clássico/acadêmico. O objeto feio pode ser expressivo, trágico, grotesco, perturbador e/ou invento, mas, também pode provocar novos sentimentos estéticos. Talvez isso, possa explicar porquê ele tem tantos fãs, não?

Mas, e aí, Liefeld sabe desenhar? Escrever uma história? Fazer quadrinhos? Apenas ele é um péssimo desenhista, ou temos muitos outros? E, o mais importante: por quê a industria sempre o chama para algum trabalho?

Essas perguntas serão discutidas na próxima semana.

Até lá, pessoal

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8 comentários

  1. tá na cara que tu é um baba ovo do Liefeld, tentando suavizar os maus desenhos deles, e roteiros péssimos com um discurso que há espaço pro feio , horrendo e que ele se encaixa porque há demanda pra ele, ele chamado para projeto caça-niqueis e não pra comparar o que ele produz com outras obras produzidas por bons autores. meu amigo caia na real, ele só faz esse esquemas padronizados de quadrinhos estilo infantiloide para leitor descerebrado de ação constante de herói. quando for para fazer um quadrinho mais arrojado como marta washington vai pra guerra, uma série histórica, comics fantasia tipo conan, ele não corresponde à altura. imagine um quadrinho estilo europeu. ele realmente está aquém disso. tanto desenho, e nem se fala de maturidade de roteiro.

    1. Saudações 4wind. Cara, perfeito seu comentário e vc já foi no ponto que pretendo abordar no próximo texto: demanda para um público raso de quadrinhos de super herói. Liefeld é convocado para esse tipo de trabalho justamente para agradar esse público e um outro.
      Vc tem razão nas suas palavras (menos que admiro o trabalho dele, apenas nisso que discordo de vc), mas vou aprofundar nas suas questões, e outras, na quinta.

      Obrigado, xará!

  2. “Não existe uma resposta”??? Existe, sim, meu caro. A Marvel, anos 90, gerida por alguns sujeitos que não entendiam NADA de quadrinhos, começou a lançar capas metalizadas e várias opções destas para um mesmo gibi. A maioria das pessoas comprava, achando que tais revistas se tornariam itens de colecionador, a serem vendidas muitíssimo mais caro no futuro. Tal acabou não acontecendo. E dentre os vários desenhistas desta leva, estava o Liefeld. Um sujeito que dizia “E daí que não tem cenário? Quando eu coloco o super-herói lá na frente, ninguém tá nem aí pro cenário!”
    Sua qualidade já era questionável e havia empresários do ramo das HQs preocupados com a explosão de vendagens. “Uma forma de arte tão combatida com essa baixa qualidade, sendo tão popular, não faz nenhum bem a essa indústria”, teria dito um desses empresários. Deu no que deu, a Marvel faliu.
    Saiba mais em “Marvel Comics – a História Secreta”, de Sean Howe.

    1. Sr giorgiocappelliGiorgio, saudações

      Sim, vc tem razão no seu texto: o que danou tudo e levou a Marvel a bancarrota foram pessoas que acreditavam que sabia fazer negócios com gibis, da mesma forma que faziam em outras empresas. E, esse tipo de estratégia respinga até hoje, basta ver as capas variantes que circulam por aí.

      E fora que em muitas e convenções de quadrinhos norte americanos, os gibis tinham autógrafos dos artistas. Logo depois, colocados em plásticos e oferecidos para outras pessoas por um preço muito acima do comprado. Lembro que quando o Greg Capullo esteve no Rio de Janeiro, em 1996 (ou 1997) na Comicmania, ele ficou boquiaberto quando pediram a ele autógrafos nominais. Depois, ele ficou sabendo que aqueles gibis, dificilmente, seriam vendidos, mas sim ficariam para os donos, como uma forma de ligação com o artista. Ele estava visivelmente emocionado quando agradeceu pelos gesto dos que conseguiram autógrafos dele, quando ele deu a palestra dele.

      E peço desculpas, pois não fui claro quando escrevi “uma resposta”; eu quis dizer que não tinha uma única resposta, mas várias e cada uma complexa que a outra. A sua, é uma, das mais variadas que compõem esse cenário todo que ‘o trabalho do Liefeld.

      E, quanto ao livro, sim ele é excelente. Já li duas vezes e recomendo muito a leitura.

      Obrigado pela conversa, xará.

      1. Gostei da sua resposta humilde, e da sua simpatia.
        Mostra que podemos, sim, divergir nas opiniões e ainda assim manter o respeito.
        Ainda não gosto do Liefeld, prefiro as HQs franco-belgas, que são mais bem elaboradas… 🙂
        Abraços e ótimo 2015!

        1. Salve, Giorgio!! Feliz 2015, xará!! Para vc e para os seus!
          Obrigado pelas linhas e sim, acredito nisso: podemos ter visões diferentes (até antagônicas) e continuar o respeito. Não vejo a necessidade uma opinião suplantar a outra, saca? E acho legal as diferentes opiniões, pois saem sempre coisas diferentes, outras formas de enxergar a mesma situação.

          Hoje eu pretendia terminar o texto sobre o Liefeld, mas os acontecimentos de ontem (7/1) me fizeram pensar em outro texto, quase um desabafo mesmo, xará.

          Obrigado pelo comentário.

  3. ahahaha é um estilo bem estranho mesmo, lembra o nosso Flávio Colin, o Shima também e o Frank Miller no começo da carreira onde ele fazia apenas layouts nas histórias do Demolidor. Eu gosto desses estilos mal feitos, sempre gostei. Não gosto de desenhos hiperrealistas como os do Mike Deodato, parecem fotos. Mas o LIefeld é uma figuraça, a Glory é a Mulher Maravilha copiada, o Deadpool uma cópia do Exterminador da DC, mas o cara tem sorte e fez boas amizades com Stan Lee, e fez sucesso.Na vida os espertalhoes se dão bem.Se o Van Gogh tivesse a esperteza do Liefeld não teria morrido na miséria. Outro picareta que deu certo foi o Picasso. Faz parte do jogo da vida, os bons morrem cedo, ficam as raposas espertalhonas que vivem e envelhecem até morrer. Essa vida é uma bosta, sem tirar nem por.

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